EM BUSCA DE UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA SÓCIOINTERACIONISTA PARA EAD-POSSIBILIDADES E ENTRAVES: UMA EXPERIÊNCIA BRASILEIRA
As relações humanas constituem a base de nossa existência e permeiam o mundo em que vivemos. Sabemos ainda que, em se tratando de educação, essas relações, que se configuram essencialmente por meio das políticas públicas, do pensamento e da gestão estratégica, bem como da proposta pedagógica das instituições de ensino e, no final da cadeia, pela atuação dos sujeitos da práxis pedagógica – professor e aluno –, têm sofrido reformulações significativas no modo como concebemos o processo educativo, que é reforçado por novas modalidades de ensino introduzidas pela Educação a Distância (EaD). As constantes mudanças deste cenário devem-se ao avanço da tecnologia, que a cada dia permite novas formas de construção do saber, incorporando importantes ferramentas no processo de ensino e aprendizagem, que alteram significativamente a forma como professores ensinam e como alunos aprendem. A EaD, dependendo da perspectiva que lhe seja atribuída, contemplará em sua proposta pedagógica a formação humana meramente pragmática e mercadológica ou, por outro lado, a formação humana autônoma e solidária, como também definirá o papel central do professor-tutor como mediador e facilitador no processo de formação humana. Neste contexto, tem-se valorizado na pedagogia da educação a distância no Brasil, de forma bastante expressiva a perspectiva pedagógica sócio-interacionista, por entender que o conhecimento é uma construção social colaborativa, assim como, no sentido da interatividade, a educação a distância tem investido em seu ambiente de aprendizagem (moodle), bem como nas novas tecnologias da informação e comunicação, que proporcionam a troca de conhecimentos que, de forma interdisciplinar, constrói uma educação que inova e transforma. Assim, este artigo tem como objetivo analisar uma proposta pedagógica do Ensino a Distância sob a perspectiva da formação humana, autônoma e solidária, corroborada pela interação contínua e também pela democratização da informação.
Comentários: Observou-se que as relações humanas são constituintes da base de nossa existência e, sabe-se ainda que a educação é o alicerce para os ideais de liberdade, justiça e paz, por esses motivos o modo como aprendemos ensinamos deve passar por mudanças. Sendo assim tornou-se a união ensino, planejamento pedagógico e novas tecnologias, dando origem a nova modalidade EaD onde o conhecimento é adquirido a partir de ações colaborativas sócio-interacionalista trazendo benefícios para o aluno e para sociedade como um todo.
CONSTRUTIVISMO SÓCIO-INTERACIONISTA
Nesta abordagem o principal nome é o de L. S. Vygotsky, psicólogo russo que viveu e desenvolveu seus estudos durante os anos 30. O Sócio-Interacionismo proposto por Vygotsky tinha como principal veia a interação entre os indivíduos. No Ocidente, no entanto, sua "teoria" só ficou conhecida a partir dos anos 80 e 90.
Enquanto para o construtivismo, a aprendizagem ocorria de forma individual, para Vygotsky, todo o processo de aprendizagem estava diretamente relacionado à interação do indivíduo com o meio externo (meio este que levava em conta não apenas os objetos, mas os demais sujeitos). Dentro da perspectiva dele e de seus seguidores (Luria, Leontinev etc.) [Campello 98], a inteligência humana é constituída através de ferramentas culturais, tais como a linguagem, que são o legado das gerações passadas e, portanto, só pode ser compreendida a partir de uma perspectiva sócio-histórica da cognição.
Vygotsky lançou o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (Potencial), onde afirmou que aquilo que um indivíduo é capaz de realizar assistido por outro, seja um parceiro, seja um instrutor, seja até mesmo instrumentos como livros, lições, calculadoras, computadores que são em última instância produtos de outros indivíduos, também representa uma habilidade intelectual do indivíduo, diferentemente da abordagem construtivista onde Piaget considerava como habilidade intelectual humana, apenas aquilo que cada indivíduo era capaz de construir individualmente, isolado do ponto de vista de interações entre pessoas.
Durante a década de 80, as novas idéias colocadas pela abordagem social-interacionista sugerem que o aprendiz é parte de um grupo social e deve ter iniciativa para questionar, descobrir e compreender o mundo a partir de interações com os demais elementos do contexto histórico no qual está inserido. O objetivo do professor é o de favorecer a convivência social, estimulando a troca de informações em busca da construção de um conhecimento coletivo e compartilhado.
Nesse paradigma, a informática passa a ser encarada também como um meio de comunicação entre aprendizes e orientadores. Com a chegada da Internet nas escolas, em meados dos anos 90 se vislumbrou uma nova perspectiva de aplicação da informática em educação [Moran 97]. Segundo o prof. Moran da Universidade de São Paulo, "a Internet propicia a troca de experiências, de dúvidas, de materiais, as trocas pessoais, tanto de quem está perto como longe geograficamente". A partir de hipertextos compartilhados e de ferramentas de comunicação assíncrona (correio eletrônico) e sincrônicas (chats, vídeo-conferências), a internet tem mudado a postura de professores e estudantes. Estes hipertextos conectados formam uma grande teia que denominamos World Wide Web (Web).
A sistematização destes hipertextos e de ferramentas de comunicação levaram à concepção daquilo que hoje chamamos de Ambientes Virtuais de Estudo (AVE), sub-sistemas na Web, onde estudantes e professores podem interagir em torno de domínios específicos. Estes ambientes têm sido amplamente defendidos por pesquisadores [Peraya 95; Fiorito 95; Moran 97; Pretto 96] em educação, principalmente por: explorar características comunicativas das redes telemáticas; e estimular a autonomia dos estudantes no processo de ensino-aprendizagem a partir da conectividade entre estes e demais informações disponíveis na WWW. O professor, agora, é parceiro do processo de ensino-aprendizagem. Ficam sob a sua responsabilidade a transposição do conteúdo a ser trabalhado no ambiente virtual de estudo; a definição de relação entre os conceitos do domínio; e a avaliação contínua do processo de ensino-aprendizagem através do feedback dado pelos estudantes no ambiente. Em vez de centralizador da informação, o professor tem preponderantemente o papel de coordenador do processo, pois a informação está disponível nas redes telemáticas [Jonassen 93].
Comentários:A partir de Vygotsky a interação entre indivíduos ganhou importância uma vez que o processo de aprendizagem está diretamente relacionado com a interação do individuo com o meio externo considerando ambiente, objetos e os demais sujeitos. O aprendiz (aluno) faz parte de um grupo social e deve ser estimulado pelo professor a ter iniciativa, a questionar, a descobrir e compreender o mundo como parte integrante do seu crescimento pessoal e social e que é co-responsável por sua aprendizagem, restando assim para o professor o papel de coordenador e facilitador do processo ensino-aprendizagem.